Após tempos de crise, SP-Arte deve ser termômetro para 2018
11/04/2018 - 7h01 em Cultura

Maior feira do hemisfério Sul abre nesta quarta (11) para convidados e vai até domingo (15)

SÃO PAULO

Após um ano considerado difícil, o crescimento da economia brasileira no final de 2017 levou otimismo ao circuito das artes. A 13ª edição da SP-Arte deve ser um dos termômetros para 2018.

A feira, tida como a maior do hemisfério Sul, será inaugurada nesta quarta para convidados e segue até domingo no pavilhão da Bienal.

“O mercado está melhorando, o ano passado foi complicado”, diz Luisa Strina. A mais poderosa galerista do país levará à SP-Arte obras de artistas consagrados, como Cildo Meireles, Miguel Rio Branco e Anna Maria Maiolino.

O evento abrigará 131 galerias estrangeiras e nacionais —três a menos que em 2017. O orçamento, por sua vez, teve diminuição significativa.

Diante das modificações recentes na Lei Rouanet, que restringiram os limites de captação, as despesas para colocar a feira de pé foram repensadas, diz Fernanda Feitosa, idealizadora do evento.

No ano passado, a SP-Arte foi autorizada a captar cerca de R$ 4 milhões por meio da Lei Rouanet. Neste ano, baixou a requisição de incentivo para R$ 2,2 milhões, tendo obtido apenas R$ 400 mil até a última quarta (10) —a captação fica aberta até junho.

HISTÓRICOS E JOVENS

Entre os artistas estrangeiros que terão obras expostas na feira, estão o chinês Ai Weiwei, trazido pela galeria alemã Neugerriemschneider, e o francês Christian Boltanski, da Marian Goodman Gallery, de Nova York.

Entre os brasileiros, ganharam destaque nomes selecionados como artistas-curadores da próxima Bienal de São Paulo, em setembro próximo. É o caso de Waltercio Caldas, da galeria Raquel Arnaud, e de Maria Laet, da Marília Razuk.

Já Thiago Gomide, da Bergamin & Gomide, privilegiou obras que classifica como fortes e históricas, de nomes dos anos 1970 e 1980, como Günther Uecker e Fabio Mauri. 

“É o que o mercado pede. Desde que os juros caíram, o mercado melhorou."

Para Julia Brito, da Luciana Brito, “não é porque é jovem que não vende”. “É importante fazer essa mistura, já que muitos compradores estão atrás dos jovens”, afirma.

Entre as cerca de 15 obras que a galeria terá no evento, estão peças de medalhões, como Marina Abramović e Waldemar Cordeiro, ao lado de obras de nomes emergentes, como o francês Raphaël Zarka e o paulista Tiago Tebet.

Como faz em feiras internacionais, Berenice Arvani terá apenas um artista na SP-Arte. Ao escolher João José Costa (1931-2014), do grupo Frente, que incluiu Helio Oiticica e Lygia Clark, ela diz conseguir “trazer um caráter cultural, e não tão de mercado”.

 

MUDANÇA DE TARIFA

Antes da feira, uma mudança tarifária atrapalhou o orçamento de algumas galerias.

Em anos anteriores, as obras que entravam temporariamente no país para a SP-Arte estavam submetidas a tarifas de armazenagem em aeroportos calculadas pelo seu peso bruto  —era usada a tabela aplicada a eventos cívico-culturais.

Entretanto concessionárias que administram os aeroportos passaram a enquadrá-las em outra tabela, com taxas cobradas sobre o valor das mercadorias.

A Fortes D’Aloia & Gabriel deixou de trazer, por isso, obras de Beatriz Milhazes e de Valeska Soares para a SP-Arte. “Eu não posso pagar esse valor sob um trabalho que ainda não vendi”, diz a galerista Márcia Fortes, que terá no estande obras da dupla Osgemeos e de Barbara Wagner.

Fernanda Feitosa diz que, por meio de uma liminar, conseguiu que galerias importassem obras sem a nova tarifa.

Antes disso, a galeria Nara Roesler, que trouxe obras do argentino León Ferrari, desembolsou R$ 17.000 pela armazenagem das obras em Guarulhos, enquanto esperava pagar R$ 200.

Nesta segunda (9), o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, se reuniu com José Ricardo Botelho, diretor-presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para discutir o caso.

“O MinC fará uma consulta formal, para que a Anac regulamente o sentido da expressão ‘cívico-cultural’ e aponte os casos em que a tabela 9 [que cobra tarifa sobre o valor da mercadoria] deva ser aplicada”, disse Sá Leitão à Folha.

SP-Arte

QUANDO nesta qua. (11) para convidados, de qui. (12) a sáb. (14) das 13h às 21h; dom. (15), das 11h às 19h

ONDE pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 3)

QUANTO R$ 45 para um dia ou R$ 80 para dois

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/04/apos-tempos-de-crise-sp-arte-deve-ser-termometro-para-2018.shtml

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